quinta-feira, 25 de setembro de 2008

.Tem dias.


Tem dias que tenho medo de pirar.

Tem dias que nada faz sentido e que não parece possível acreditar tanto em mim quanto em qualquer palavra que saia de outras bocas, que agora parecem tão hipócritas e sujas.

Tem dias que eu não queria ter que acordar.

Tem dias que dá vontade de jogar tudo pro ar, junto com todas as besteiras que costumo estupidamente fazer. Acabar com tudo.

Tem dias que a paciência se esgota, que agente olha pra gente e vê o que não gostaria de ver em ninguém.

Tem dias que é difícil acreditar que dias melhores virão, que estas tardes nubladas passarão, que pode existir amor no fim, ou que sequer ele exista. E existe? Não nesses dias, e não em mim.

Parte de mim já deve ter pirado.

E a outra, que por ingenuidade ainda vê-se sã, está tentando se virar como pode, mas sabe que não é possível carregar o peso sozinha. Está fraca, fraca a ponto de desisitr de levar em frente essa besteira de querer provar que é forte, tanto pra si quanto pros outros.

Parte de mim morreu, junto com muitas mentiras que um dia tentei acreditar. Como quem perde uma parte de si, e que não possui muletas que possam fazer as coisas serem como antes, eu passo pelos dias que não passam.

Quer saber o que vejo do outro lado do espelho?

Não sei, não reconheço mais nada alí. Falta coragem de olhar de frente e encarar o que quer que seja e esteja do outro lado.

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