Novamente fecho mais um ciclo. Volto minha cabeça para trás, lembro destes mesmos Natais de anos que já se foram, momento este que trás boas lembranças de reuniões familiares, do calor humano em uma bonita ceia, de familiares que há muito já não vejo, da enfeitada árvore que fazia meus olhos infantis brilharem, do sentimento que inunda meu peito de alegria por tudo que viví em todos esses anos e pelo que me tornei hoje. Como brisa ao meu ouvido, as lembranças sussurram cantigas natalinas que hoje já não têm a mesma graça e brilho que antes continham, mas que trazem consigo a inocência dos meus tempos de criança.
Retorno então minha cabeça para o presente. Olho para meus pés, já não tão pequeninos como antes, e percebo que eles já não pulam aflitos e esperançosos esperando a chegada daquele homem vestido de vermelho que mais parecia um super-herói, não eles não pulam mais. Quase toda inocência infantil é baseada na ilusão, mais isso pouco importava.
Hoje já não tenho mais aquelas ceias, nem aquelas reuniões ou quem sabe aquele brilho no olhar. Nem posso ao menos rever familiares devido a distância e aos compromissos que uma vida adulta (ou quase adulta) me trouxeram.
Com o tempo acabei perdendo aquela alegria que, lembro muito bem, esta época do ano tanto me trazia. Assim também o foi com tantos outros sentimentos que antes me inundavam, não apenas durante esta data.
Acredito que essa seja a verdadeira função do Natal, a de resgatarmos de dentro do nosso ser aquela fagulha de inocência, de compaixão, de amor que em algum momento de nossas vidas ficou escondida por debaixo do tapete.
Natal pra mim é assim, o maior presente que posso ganhar é a capacidade de recordar sentimentos e momentos, reunindo-os como quem prepara um saboroso panetone natalino, para logo a frente renovar-se com o novo ano que vem se iniciar.
Reunião e Renovação, isso é o que desejo a todos neste Natal!
Feliz Natal!






