segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

.Brincando de ser Poeta - A Batida.


Uma batida serena, silenciosa.
Aparição pequena, mas milagrosa,
Imperceptível aos ouvidos comuns.
Que passou-se com o tempo,
Mero contratempo, invisível para alguns.

Depois de longo período, uma a mais.
Dando sinais de energia incomum,
Consigo, outra batida trás.

Ganha então um ritmo miúdo.
Já não tão mudo, com seus poucos movimentos
Provocando deslocamentos do fluido vital.
Preenchendo o corpo como um todo
Seguindo cada impulso, vai do pulso até
A ponta do pé.

E de repente ele está aqui, pulsando.
Despertando o que estava dormente
Dentro de um peito, antes descrente.


Raridade, a sensação de espantosa explosão
Que invade calorosa cada centímetro do ser
Quando este vê-se transcender.

Finalmente parece possível entender
Que a tão temível morte
É um passaporte, um convite
Para que se ressuscite a essência.
Um chamado da consciência.

Preciosas são as batidas do coração

Que seguem-se após o vazio.

8 comentários:

Tamiris disse...

inspiradissíma

Ninitz disse...

NOFFA, que lindo! Hahuahuahuahuahha
Favoritei tbm, gata. E podexá que eu monto um layout gato pra você ;D

;****

Thyciano Faria disse...

Contratempo é um termo legal, porque além de conferir esse ar musical ao poema, faz com que o fato (a batida do coração) pareça algo desagradavel ou despresível.
Adoro essas brincadeirinhas gramaticais! Na real eu viajo nelas e as encontro mesmo onde não existem.
O próprio título do blog me chamou atenção por ser ambíguo.

Continua postando, viu?

Edu disse...

brincando de ser poeta nada, tu leva mó jeito pra coisa =P

ficou muito bonito, mesmo. e você sabe rimar! preciso, urgentemente, aprender a rimar ¬¬



=)

Roberta Albano disse...

parabéns pela poesia
com certeza, além de bem escrita, é ritmada com o melhor tipo de rima.
Nao é só aquela rima simples e comum, com a e b. tem um quê de musicalidade e tudo mais.
Além do pensamento que por si só é bonito!

Ana Clara Banana disse...

Não gosto muito quando as pessoas tentam interpretar o que é tão íntimo.
Mas quando publicamos algo, esse algo já não é mais nosso, é de quem lê e tenta interpretar...
É a "morte do autor".
Mas fico feliz com comentários tipo o da Tamiris!
Enfim... o que tenho a dizer é simples: (...). Ah... Eu gostei!rs.

Cazú disse...

"Ganha então um ritmo miúdo.
Já não tão mudo..." - nossa, essa frase pra mim foi tão inspirada.

Peguei o hábito de ler tuas coisas com um sorriso estampado - o mesmo sorriso que eu uso lendo os meus escritores favoritos - "Nossa, que perfeito".

Foi modernista, sagaz.Normalmente sempre tenho críticas as fazer, mas nesse, eu só tenho a dizer que queria fazer um igual.Tão singular assim.

Me ensina a ser poeta?
Beijoo

wlainer disse...

Brinque de ser poeta, de ser atriz, de ser cantora, faça as coisas sem criar muitas expectativas, que quando vc menos esperar a sorte ira bater em sua porta, e quando isso acontecer pode ter certeza que talento vc tem, para continuar com as brincadeiras.

Mas aqui, tava vendo uma entrevista do lenine hj na tv e deu uma saudade de vc, e resolvi procurar alguma coisa para lembrar de ti, e achei este blog (que por sinal e muito bom,(vc ta parecendo o vampiro la do twilight, faz tudo com perfeicao)).