Ele está andando por aí, com seus passos largos, sua cabeça baixa e seu fone de ouvido. Atravessando calçadas rapidamente e passando por pessoas que mais parecem vultos. Há quem diga que tem ar de mal-rapaz, mas isso é apenas para que não lhe pisem no coração mole que bate em seu peito. Costuma sair com amigos durante a noite, atravessando-a entre novas bebidas, novos lugares e novas garotas. Muitas garotas. Novos cheiros e gostos lhe envolvem a cada noite. Mas a maioria que fica, e ele sabe, não dura-lhe na mão por muito tempo.
Quantos anos tem? Não sei dizer ao certo. Sei que apesar do rosto e do corpo jovens, seus olhos trasparecem uma seriedade que já ví apenas em pessoas de mais idade. Aquelas que escondem por detrás deles uma grande bagagem adquirida por tantas tristezas e alegrias vividas durante toda a caminhada.
Seu nome? Também ainda não o sei. O que sei é que um dia ele vai passar por mim. E não, meu bem, eu não serei daquelas garotas que escorrem por entre os seus dedos.
Ao invés disso, meus dedos irão entrelaçar-se por entre os finos fios de seu cabelo e lhe terei encostado em meu peito enquanto afago seu cansaço. Será você o único para mim entre um milhão de rostos, assim como para você eu serei a única também. Consigo até nos ver caminhando pelas ruas, passando por entre os vultos como se eles nem estivessem alí, agora dividindo o fone de ouvido ao atravessar a cidade com nossos passos largos. E pela primeira vez na vida, meu bem, nos entregaremos por completo a alguém, conhecendo um ao outro como a nós mesmos. Vejo os dias felizes, vejo também as noites inesquecíveis. Mas não vejo tudo, querido, nem o quero. Prefiro deixar assim, nas mãos do destino.
Talvez eu o encontre em um ponto de ônibus, ou quem sabe na portaria de um cinema, não sei. Saberemos quando a hora chegar. Uma troca de olhares, o ponto de partida para uma vida que ainda não chegou, mas que volta ao momento do primeiro encontro como que para rever o início de tudo. Quando dois mundos se unem.




6 comentários:
bastante quente essa história.
como é bom idealizar as coisas
ok, nem sempre é bom, mas na maior parte das vezes desejar algo trás inspiração.
eu não sei se seu conto é real.
mas se vc for parecida comigo é.
geralmente escrevo baseada em alguma experiencia minha.
se você for parecida, boa sorte!
Concordo com o que você disse =) mas eu não acho egocentrismo não
quer dizer
quando escrevemos um texto, não tem deixá-lo totalmente afastado de nós.
Mesmo que um detalhe, sempre vai estar presente. Cada autor tem sua caracerística que permanece e isso não é ruim.
talvez seja, profissionalmente. Mas eu gosto das coisas de um jeito mais pessoal sempre...
Ahhh e ter fantasias tbm é ótimo!
Visualize: Sentado em frente à tela, com um cigarro na mão direita, e a outra mão aparando a testa e um sorriso a cada linha.
Sim, sem querer parecer demagogo – mas eu amei esse texto. A descrição dos fones, toda a harmonia que tu colocaste... Amazing.
Não posso deixar de falar do comentário que fizeste no meu ultimo post – espero que tenhas gostado mesmo, aliás...
Confesso quê: Saber que não estás aqui me deixou um tanto quanto decepcionado, mas...
Não quero fazer do teu book de comentários um livro meu – então, te proponho, que me add no Orkut, sei lá – o link está na barra dos Blogs.
Mas, só quero frisar que estou amando as coisas que tu escreves, e que por alguma razão – talvez platônica, por assim dizer, me motiva a escrever – coisa da qual irei fazer assim que comentar aqui.
Por favor, não deixe de passar por lá, pois tua página virou prioridade a mim (rsrs). Também não deixe de vir a Porto. :D
Beijos, fique bem.
Acho que é esse tipo de situação que toda pessoa sonha, mas eu não denominaria de 'encontro de dois mundos', porque isso implica em duas coisas diferentes. Ok, é piegas, mas eu acredito em metade da laranja, e pãs :P Acho que são duas metades do mesmo mundo, diferentes, mas que se encaixam e se completam perfeitamente.
;***
eu prefiro a idéia de dois mundos mesmo, ao contrário da Ana.
acho que se eu encontrasse outra metade de mim, eu só estaria acrescentando dentro do meu corpo/coração/alma mais de mim mesmo, e isso não é tão interessante quanto permitir ter aqui dentro alguém ligeira ou completamente diferente do que eu sou.
não compreender uma pessoa, pra mim, é uma das coisas mais interessantes que existe, pq isso implica que vou ter que deixar que ela se mostre pra mim e me ensine a entendê-la, e esse é um processo tão bom (ou romântico, ou amoroso, etc.) que eu não estou lá mto disposto a negligenciá-lo procurando minha metade da laranja. ela pode até existir, mas eu prefiro me juntar com a metade de um limão, pêra ou, quem sabe, se tiver sorte, de um maracujá :)
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