
Foi numa manhã em que meus olhos despertaram diferentes. Logo ao acordar já percebi a sutil mudança na forma de olhar para o relógio e levantar da cama. Uma fagulha de felicidade que veio sem avisar e sem dar motivo, trouxe consigo uma pitada de energia que revigora o espírito. Fez com que os olhos despertassem motivados, mesmo não sendo possível botar o sono em dia.
E estes mesmos olhos caminharam distribuindo sorrisos, sem cobrar uma troca justa, no decorrer da tarde. Só aí então eles conseguiram ver a beleza que costuma se esconder nas entrelinhas dentro de mim e consequentemente também vê-la no que enxergavam ao seu redor. Estranhamente a vida passou a ter mais cores do que de costume, apesar dos pesares dos dias anteriores, que agora pareciam pequenos demais para merecerem atenção.
Só aí que eu pude entender. Que ser feliz é uma questão de decisão.
Com o passar do dia, aquelas cores me mostraram que o mundo é o que queremos que ele seja, que a decisão de vê-las ou não está dentro de cada um. Elas estarão sempre lá, esperando que alguém as faça companhia. Tudo que nos acontece pode nos fazer feliz ou infeliz, escolhemos o que quisermos. E elas foram me contando mais, a medida que o dia passava.
Me contaram que muitas vezes, em busca da felicidade, as pessoas procuram por elas, falam, desenham e cantam sobre elas, mas não conseguem enxergar onde estão de verdade. Insistem em acreditar que a tão desejada felicidade está naquele distante pote de ouro, logo depois que as cores do arco-íris acabam. Disseram-me então que não existe um caminho certo para a felicidade, a felicidade é o caminho. E que muitas vezes as pessoas se perdem em longínquas terras utópicas procurando por algo que está de baixo de seus pequenos narizes.
A felicidade é o caminho, e esse é o verdadeiro pote de ouro. Ser feliz te leva onde quer chegar, e não o contrário.
Depois elas se calaram, e eu também. Fiquei lá, parada, admirando a vida e todas as suas cores. De repente pouco importava se eu iria acordar com elas novamente, se elas durariam a vida inteira ou apenas aqueles segundos. Senti então uma alegria que preencheu-me cada centímetro do corpo, querendo pular pela garganta. Era a vontade de esboçar um sorriso, um que jamais dei. Eu, que acreditava nunca ter amado na vida, amei.
Foi naquele momento que tomei minha decisão. Aquela que me seguirá por toda a vida.
Eu decido ser feliz, decido pela felicidade a cada segundo, independentemente de qualquer coisa. O que tiver de ser será, vou viver apenas. Procurando amar a vida e as oportunidades que ela trouxer, descobrir o amor dentro de mim que irradiará para tudo ao meu redor.
Naquele momento então, as cores falaram novamente. Disseram-me que quem ama a vida aprende que o amor não é tão difícil assim de se conhecer. E que não havia necessidade de sentir medo da solidão, pois se amas a vida, as pessoas que a amam também vão logo perceber a tua existência. E as trivialidades serão como grão de areia.
Respirei fundo enquanto um novo horizonte abria-se diante dos meus olhos. O dia já havia passado, a lua havia tomado seu lugar no céu, junto das estrelas. As cores então acompanharam meu ritual para dormir, como que aguardando. Pouco antes de entrar em sono profundo, debaixo dos lençóis, ainda disse baixinho por entre suspiros e bocejos: está decidido, esse é o meu pote de ouro.Elas me levaram então, quando finalmente adormeci.




9 comentários:
'FELIZ DIA DO BLOGUEIRO'
BEIJOOO
Obrigada pela sua visita.
gostei, parece com o livro "O Futuro da humanidade".
este texto tambem esta no cd do Maria do Sol?
Não, esse é meu mesmo :)
Mano.
FODA. Detesto usar jargoes e coisas simples, MAS...DON'T WORRY!BE HAPPY!
Carmim...certa vez eu fiz bolhas de ar com detergente e canudinho...eram bolhas suicídas, mas tinham o brilho que iluminaram todo o meu dia...enfim..como você eu também naquela manhã me doei horizontes...perspectivas que me remeteram a momentos felizes...
Gosto de conhecer pessoas e seus universos literários...aqui tu tens um manancial fabuloso de encantamentos...volto outras vezes...
Que lindo teu blog! Gostei mesmo, com certeza visitarei novamente seu canto.
Muito bonito é o que você escreve.
Parabéns pelo blog, que já começa bonito no nome.
beijos
incrível o texto =)
até porque é exatamente o que eu costumo pensar
parabéns pela sensibilidade ao perceber isso ^^
tbm queria agradecer seu comentário, mas dizer que aquele texto é de 2007 :P
Pois é: Comenta agora um pessimista/ranzinza:
Eu acho que teu texto está lindo – como sempre.
Bem estruturado e doce para os olhos – isso é inegável – queria eu, metade da tua “picardia” – por assim dizer, para com as palavras... Queria eu.
Mas eu não concordo com nada!
Como disse, gosto de ressaltar – amei o TEXTO – só que simplesmente não creio que as coisas possam ser tão fáceis assim.
A história em si, me lembrou muito “Em Busca da Felicidade - (Will Smith)”.
Claro, se tu não correr atrás, não decidir que as coisas podem dar certo, certamente não darão. Mas eu acredito na pitada dos noventa por cento de sorte.
Eu já me propus a ser feliz, acreditei nisso – tentei ver as cores... Acho que sou daltônico.
Consigo pressentir as belezas mundanas, de acordar cedo(nem sempre), de tomar uma bebida, fumar um cigarro – coisas que me dão prazer – mas não consigo ser feliz nisso – dizer que sou uma pessoa realizada por ter pernas e braços!
Enfim – como eu disse – sou ranzinza, amargurado – But...
Mas sendo redundante: Amei o texto!
Beijosss!
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