quarta-feira, 29 de abril de 2009

.Lunetaria.

Como prometido, trago-lhes as novidades.
Nova fase, novo ciclo, novo blog:

http://lunetaria.wordpress.com/

Ainda em fase de construção, fazendo alguns testes de layout, essas coisas.

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Atualização em 20 de março de 2012:
O Lunetaria agora é Carmenestrel, minha gente.

http://carmenestrel.blogspot.com.br/

domingo, 19 de abril de 2009

.O Adeus.

COM ESTA POSTAGEM ENCERRO MAIS UM CICLO E FINALIZO OS TRABALHOS DESTE BLOG. UMA NOVA FASE SE INICIA E EM BREVE TRAGO NOVIDADES.


Recolho os sonhos espalhados pelos cantos, junto-os em uma mochila velha. A mala de trapos na mão esquerda leva saudade premeditada e esperança. Desancoro o barco do cais com os olhos marejados, pendendo entre o porto, antes meu abrigo, e o infinito oceano que me aguarda. É hora de ir, seguir meu caminho rumo as estrelas.
Sabia que assim seria, que a hora chegaria. Sou loba do mar solitária, navegando por entre portos que um dia verei por detrás dos ombros, enquanto levo em meu corpo as fundas marcas de cada refúgio passado. A que chega nunca é a mesma que vai embora, por cada porto deixo pedaços do que fui e levo outros do que me tornei: uma colcha de retalhos.
Deixo-te uma rosa, meu amor. Uma pequena e delicada parte do meu ser, para lembrar-se do que um dia fomos e manter viva a esperança do reencontro. A vida é uma caixa de surpresas, levo comigo a incerteza de se nossos caminhos voltarão a se cruzar em um porto futuro. Prometa-me escrever sempre que puder, que eu prometo guardar-te em um dos cantos do meu coração.
Fecho os olhos enquanto o vento bate forte no rosto e espalha as lágrimas cristalinas pelo ar. Respiro fundo e retiro coragem do peito para olhar uma última vez para a praia. Permito sentir-me triste só por hoje, amanhã não mais.

Adeus.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

.As Frias Paredes de um Suposto Lar.

Foi em um nublado sábado à tarde que a vida tiraram-lhe. Vida essa que aos poucos foi carregada porta afora dentro de caixas de papelão. Presenciei cada detalhe do ocorrido, cada caixa levada aumentava cada vez mais a sensação de vazio. Uma morte silenciosa e lenta.

No final do dia ele havia reduzido-se a poucas bugigangas em alguns de seus cantos, que seriam levadas logo que o dia raiasse novamente. Fechei a porta atrás de mim para uma despedida e fiquei parada por um momento, contemplando o que um dia havia sido meu refúgio e que agora não passava de superfícies vazias. Percebi então que não se tratava apenas do que podia ser visto, havia algo no lugar que não era propriamente físico. Algo de mágico penetrava suas rachaduras.

Andei lentamente, percorrendo os seus quatro cantos, que um dia foram tão cheios de vida. Enquanto a ponta dos dedos gelavam tocando de leve a superfície da parede, fui recordando cada momento vivido entre elas.

Confiáveis, ouviram sempre mudas por todas as vezes que lhes confessava algo do peito. Elas estavam sempre lá, acalentando as lágrimas tão doídas e protegendo-as de olhos curiosos e mesquinhos que nos rodeavam. Quando estávamos apenas nós, sentia-me livre. Elas proporcionavam a dança e o canto sem medos ou pudores, permitiam uma liberdade que não experimentei em lugar algum além de ali, entre as quatro e eu. Volta e meia, lembrei, elas cobriam-se de posteres e cartazes auto-afirmativos, que eram substituídos a cada nova fase, a cada nova moda. Foram elas também que me esperaram pacientes a cada fim de noite, que velaram meu sono e que acordaram-me a cada manhã. Dia após dia.

E agora, vejo-me acariciando paredes nuas, já tão diferentes da velha confidente de outros tempos. Sinto elas olhando-me desconsoladas, como se previssem que este seria o último encontro. Finalmente entendo o porquê de elas não estarem completamente vazias, apesar da aparência.

Estas paredes guardarão em si para sempre um pedaço do meu ser, aquele que deixo para trás fazendo-lhes companhia, mas que levo comigo na memória. O que fica nelas visível são apenas os furos das marteladas de pregos e parafusos, que fiz questão de deixar, como para dizer a quem há de vir que estas paredes carregam consigo não só concreto, tinta e tijolos, mas lembranças da vida que antes lhe habitava.

Dizer adeus nunca foi tarefa fácil, principalmente quando sabe-se que será definitivo. Um murmúrio e um último olhar antes da porta ser fechada são tão doídos quanto uma facada no estômago. Viro as costas e prefiro não dizer adeus nem com as mãos, agora tão frias quanto as paredes do antigo lar.